Power Pack. O novo pacote de campanhas do Google Ads
Lançado em maio deste ano, o Power Pack é o novo conceito de publicidade do Google — criado para refletir a forma real como as pessoas vivem, pesquisam e compram hoje.
Ele nada mais é do que a combinação do uso simultâneo de três campanhas, fortemente baseadas em inteligência artificial:
- Demand Gen (Geração de Demanda)
- AI Max for Search
- Performance Max
A lógica por trás desse movimento do Google
Ao longo dos anos, anunciantes e gestores do Google Ads se acostumaram a trabalhar com campanhas isoladas, cada uma voltada a um estágio do antigo funil:
- Pesquisa = fundo de funil
- Display = meio de funil
- Vídeo = topo de funil
- Performance Max = vendas no Shopping do Google
Mas esse modelo já não representa a jornada atual do consumidor. E o Google sabe disso.
Assim como, lá em 2012, o Google previu que o celular se tornaria o principal dispositivo de acesso às pesquisas, agora ele antecipa uma nova era nas buscas.
Power Pack: campanhas que compõem um ecossistema
O Power Pack propõe uma estrutura pensada para rodar em conjunto — não uma de cada vez.
Ele é composto por 3 campanhas estratégicas, todas baseadas em IA:
- Demand Gen = desperta o interesse em superfícies visuais (YouTube, Discover, Gmail)
- AI Max for Search = intercepta a intenção do usuário, mesmo sem palavras-chave exatas
- Performance Max = preenche a jornada com ofertas nos múltiplos canais do Google
Como o Google passou a entender que a pesquisa do consumidor não é mais linear e sim caótica, ele nos encoraja a criar um Power Pack, ou seja, trabalharmos simultaneamente com esses 3 modelos de campanha. O Power Pack não é um novo modelo de campanha e sim um conceito que representa veicular 3 campanhas diferentes ao mesmo tempo. E veremos porque.
A partir desse principio do Power Pack os anunciantes passarão a parar de pensar campanha por campanha e começarão ver sua presença digital como um sistema integrado
O que (provavelmente) motivou a criação do Power Pack pelo Google
Já há algum tempo, venho acompanhando nos canais oficiais do Google diversos vídeos, artigos e pesquisas que falam sobre três conceitos fundamentais relacionados à jornada de compra do consumidor:
- Messy Middle
- Multimodalidade
- Fragmentação da atenção
Conhecer esses três pilares me ajudaram a entender por que o Google estruturou o Power Pack — não como uma simples sugestão de campanha, mas como uma resposta estratégica à nova forma como as pessoas pesquisam, se informam e tomam decisões.
O Power Pack é, portanto, mais do que um pacote de campanhas com IA. ➡️ É o reflexo direto de um novo comportamento de consumo, que exige mais integração, presença simultânea e adaptação às diversas formas de interação digital.
Vamos entender agora um pouco sobre esses três conceitos:
🔄 1. Messy Middle (o meio bagunçado)
É o momento entre o primeiro contato com a marca e a decisão final de compra.
Ou seja: não é o topo nem o fundo do funil — é o meio confuso onde o consumidor pesquisa, compara, desiste, volta, vê review, muda de ideia… e depois decide (se decidir).
💡 Não é linear como o antigo funil (conhecimento → consideração → conversão), mas um looping de estímulos, dúvidas e avaliações.
Exemplo:
A pessoa vê um tênis no Instagram → pesquisa no Google → vê um review no YouTube → lê comentários → fecha a aba → volta dias depois por um anúncio de remarketing → e só aí talvez compre.
🎙️ 2. Multimodal
Multimodalidade é quando a pessoa interage com a internet por diferentes formas e formatos: texto, imagem, voz, vídeo, mapas, chatbot, IA...
Ou seja, a busca não é mais só digitada.
Exemplos:
- Digitar: “sofá azul 3 lugares”
- Tirar uma foto e buscar com o Google Lens
- Perguntar por voz: “onde encontro um sofá como esse?”
- Usar IA generativa para gerar resultados a partir de uma imagem ou ideia
🔁 A busca é fluida e integrada a múltiplos modos de interação.
🧩 3. Fragmentado
A atenção e o comportamento do consumidor estão espalhados por múltiplos canais e momentos.
Não há mais um caminho previsível. O cliente pode conhecer a marca no TikTok, engajar no YouTube, pesquisar no Google, receber e-mail no Gmail… tudo em micro momentos fragmentados.
O que isso exige:
- Estar presente em mais de um lugar
- Entender que cada canal influencia de um jeito diferente, mas todos juntos constroem o caminho até a decisão
Resumo dos conceitos:
| Conceito | O que significa | O que exige dos anunciantes |
|---|---|---|
| Messy Middle | Jornada de compra não-linear e cheia de voltas | Presença constante em múltiplos contatos |
| Multimodal | Texto, voz, imagem, vídeo, chatbot, IA | Criativos diversos e formatos adaptáveis |
| Fragmentado | Atenção espalhada entre canais e momentos | Estratégia integrada e simultânea |
✨ O que o Power Pack nos mostra sobre o futuro do marketing?
Como mencionei, acredito que a principal razão da criação do Power Pack é acompanhar essa jornada de compra atual.
Cada campanha vai trabalhar um foco de comunicação. E cada campanha entrega a publicidade em um canal.
Dessa forma, a marca do anunciante passa a estar presente "enquanto as pessoas vivem" e se relacionam com as tecnologias atuais.
Já que o modelo de funil tradicional está se dissolvendo — como já aconteceu com a pesquisa somente por desktop.
Hoje, a jornada de compra é caótica, imprevisível e distribuída entre múltiplas plataformas.
E as campanhas, para se tornarem mais competitivas precisam acompanhar essa nova lógica.
E na prática, para nós gestores?
Sabemos que, apesar de tudo isso fazer sentido, o orçamento diário ainda é um fator decisivo.
Nem sempre conseguimos rodar PMax e Pesquisa juntas — e muito menos as três (com Demand Gen), quando o cliente tem orçamento limitado.
E sabemos também que:
- Rodar 2 ou 3 campanhas simultâneas com orçamento apertado prejudica o aprendizado da IA
- Orçamento limitado limita o alcance, o aprendizado e a performance
Com isso, você pode pensar, ah então o Power Pack, na prática, será viável para contas com maior flexibilidade de investimento.
Não. Por isso, nós existimos.
Nosso desafio é:
- Aprender a escalar campanhas no Power Pack encontrando um ROI sustentável
- Entender como testar, adaptar e observar o comportamento das campanhas, ao aplicar o Power Pack.
- E acima de tudo, não fechar as portas para a inovação só por conta do cenário atual. É preciso tentar, trabalhar com as campanhas em conjunto.
- Caso valide que não é possível. Ok. Trabalhe com uma única campanha. Mas, foi validado.
Assim como um dia as pesquisas migraram do computador para o celular, a estrutura de campanhas também está migrando, da isolada para a de conjunto. E nossa responsabilidade, é fazer o possível para ingressar uma conta de cliente nesse novo mundo. e pra finalizar
O Power Pack não é só um pacote de campanhas — é um novo modo de pensar para anunciantes que desejam se manter relevantes no cenário atual.
